Bradesco revisa projeção para o PIB e Selic diante de juros restritivos

Por Pesquisa Econômica Bradesco (Assinado pelo economista-chefe Fernando Honorato Barbosa)
Adaptação Editorial: DBD Assessoria / DBD News

A atividade econômica brasileira vem demonstrando resiliência mesmo diante de uma política monetária restritiva, trazendo um cenário que exige atenção redobrada do mercado de seguros. Um relatório macroeconômico publicado pelo Departamento de Pesquisa Econômica do Bradesco revelou a revisão de indicadores importantes para os anos de 2026 e 2027. O documento mostra que os múltiplos estímulos fiscais e de crédito em andamento no país contrabalanceiam os efeitos dos juros altos no curto prazo, redesenhando as expectativas de crescimento e alterando o ambiente de negócios para os corretores de seguros.

De acordo com o estudo assinado pelo economista-chefe, Fernando Honorato Barbosa, a estimativa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026 foi elevada de 1,8% para 2,0%. No primeiro trimestre do ano, a economia registrou uma expansão de 1,1%, superando as projeções iniciais. No entanto, o desempenho foi puxado por segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico, enquanto os setores cíclicos avançaram de maneira mais tímida, registrando uma alta de 0,6%. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias retomou dinamismo, amparado pela força do mercado de trabalho, novas medidas de crédito e pela isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.

Este aquecimento momentâneo no consumo e no crédito fomenta a busca por proteção patrimonial imediata, abrindo uma janela de oportunidades para o corretor de seguros ofertar coberturas voltadas a novos financiamentos e bens adquiridos pelas famílias.

Apesar do fôlego atual, o patamar elevado dos juros básicos deve empurrar a expansão da economia para patamares abaixo do seu potencial nos próximos períodos. Em decorrência disso, a projeção para o PIB de 2027 sofreu um ajuste negativo, caindo de 2,0% para 1,5%. A análise indica que o impulso fiscal se tornará negativo e o crédito tomado em 2026 resultará em maior comprometimento da renda das famílias e menor geração de caixa para as empresas, pressionando investimentos e o consumo. O mercado de trabalho também deve passar por acomodação, fazendo a taxa média de desemprego subir de 5,9% em 2026 para 6,8% em 2027. Para o setor de seguros, essa desaceleração futura exigirá dos corretores estratégias mais consultivas para reter clientes e evitar o cancelamento de apólices devido ao aperto financeiro.

Inflação pressionada, rumos da taxa Selic e o custo do sinistro

O cenário inflacionário brasileiro sofreu o impacto de choques recentes, como o conflito geopolítico global, a alta nos preços dos alimentos impulsionada pelo fenômeno climático El Niño e a persistência no setor de serviços. Diante desses fatores, a previsão para o IPCA avançou de 5,0% para 5,3% em 2026, e de 3,7% para 4,1% em 2027. Uma inflação mais alta afeta diretamente o mercado segurador, pois eleva o custo de reposição de peças, materiais e serviços, pressionando o valor médio dos sinistros.

Por outro lado, a ausência de pressões cambiais intensas e a queda nas cotações internacionais do petróleo começam a dissipar os choques na cadeia de bens industriais, prometendo alívio para o quarto trimestre deste ano. No mercado de câmbio, o Real tem se mostrou resiliente frente ao dólar, motivando a manutenção da projeção da moeda americana em R$/US$ 5,00 para o fim de 2026 e R$/US$ 5,20 para o término de 2027.

No front da política monetária, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de junho, fixando-a em 14,25% ao ano. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicou a preferência por uma trajetória de convergência gradual da inflação em direção à meta de 3% (com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%), sinalizando a possibilidade de pausas nos cortes para preservar a flexibilidade frente às incertezas. Com isso, as expectativas para a taxa Selic ao final de 2026 foram revisadas pelo banco de 12,75% para 13,75% ao ano.

Essa Selic mantida em patamares elevados por mais tempo continua garantindo uma rentabilidade expressiva para os ativos financeiros das seguradoras, cujas reservas técnicas ficam alocadas majoritariamente em títulos atrelados aos juros básicos, gerando um resultado financeiro robusto que ajuda a equilibrar as operações.

Para o fechamento de 2027, a projeção é de que a taxa básica termine em 11,00% ao ano, abrindo espaço para cortes adicionais devido à desaceleração esperada na atividade e à estabilidade cambial. No campo fiscal, o Bradesco prevê o cumprimento das metas do arcabouço em 2026, mas ressalta que um ajuste estrutural a partir de 2027 será indispensável para conter a trajetória de crescimento da dívida bruta pública, que deve atingir 82,7% do PIB em 2026 e 87,1% em 2027.

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