Da Redação, DBD NEWS (Com informações da CNseg e Instituto Locomotiva)
O mercado de seguros possui um amplo espaço para crescer e se consolidar entre os moradores das favelas e periferias brasileiras. Uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com o Instituto Locomotiva, revelou que 85% dos entrevistados já buscaram informações sobre seguros ou gostariam de conhecer melhor essa modalidade de proteção financeira. Os dados foram apresentados no evento “Seguro para Todos os Bolsos”, no Rio de Janeiro.
O estudo, intitulado Expansão de seguros inclusivos em comunidades periféricas, desmistifica a ideia de que a proteção securitária é um produto distante da realidade desses locais. Do total de participantes, 54% afirmaram já ter procurado informações sobre o tema, enquanto 31% nunca buscaram, mas demonstraram interesse em aprender sobre a ferramenta. Apenas 15% responderam não ter qualquer interesse. Contudo, a conversão desse interesse em contratação efetiva depende da criação de produtos mais aderentes à rotina das famílias, do uso de uma linguagem acessível e do fortalecimento da confiança no setor.
Para o presidente do Conselho Diretor da CNseg, Roberto Santos, a democratização do seguro funciona como propulsor de desenvolvimento econômico e social, abrindo novos caminhos de expansão para o mercado e para o corretor de seguros. “Não basta que o produto exista. Ele precisa ser entendido, percebido como justo e fazer sentido para a realidade das famílias. Precisamos ouvir melhor o consumidor e construir soluções compatíveis com sua rotina, sua renda e seus riscos cotidianos”, disse Santos.
O Brasil conta atualmente com mais de 12 mil favelas, somando cerca de 17,2 milhões de moradores distribuídos em 6,6 milhões de residências. Juntas, essas comunidades movimentam aproximadamente R$ 300 bilhões em renda própria por ano — volume financeiro superior ao de 22 dos 27 estados do país.
Desafios orçamentários, perfil de risco e o papel do corretor local
Apesar do forte potencial econômico, o orçamento familiar nessas regiões ainda é restrito. Segundo o levantamento, 53% dos entrevistados relatam que a renda familiar não é suficiente para cobrir os custos básicos mensais, 36% conseguem quitar as contas sem sobra alguma e somente 11% encerram o mês com saldo positivo. Essa dinâmica faz com que 84% das maiores preocupações financeiras fiquem concentradas no cotidiano imediato, contra 16% voltadas ao planejamento futuro. Pagar as contas do mês é a prioridade número um para 52% dos participantes.
Por outro lado, a visão sobre o papel do seguro é positiva: 57% o associam à promoção de tranquilidade e segurança, enquanto 25% o veem como prevenção contra prejuízos. “Existe interesse, compreensão do seguro como instrumento de proteção e reconhecimento das dificuldades enfrentadas no dia a dia, mas essa percepção ainda não se traduz em urgência de contratação, pois ela compete com outras prioridades muito mais imediatas”, afirmou a diretora de Projetos Especiais do Instituto Locomotiva, Rachel Rua Baptista.
A pesquisa levantou ainda situações recorrentes que poderiam ser mitigadas por coberturas securitárias:
- 60% já tiveram o celular roubado e não puderam comprar outro de imediato;
- 55% perderam ou quebraram equipamentos essenciais de trabalho;
- 47% deixaram de gerar renda após doença ou acidente;
- 41% enfrentaram transtornos para arcar com despesas funerárias;
- 29% tiveram carro ou moto roubados, prejudicando o deslocamento para o trabalho.
Identificando saídas para o avanço dos microsseguros, 69% dos entrevistados disseram que gostariam de ter acesso a produtos criados especialmente para a realidade periférica. Diante dessa demanda, o papel de orientação profissional ganha importância estratégica na distribuição de produtos como os do portfólio da MAG Seguros, disponibilizados com suporte operacional e estratégico via DBD Assessoria.
“O mercado precisa estar próximo, ter ambição em simplificar e inovação para testar produtos e novos canais. Para isso, formar corretores locais especializados em microsseguros, que entendem os anseios de suas comunidades, é fundamental”, refletiu o presidente da Comissão de Seguros Inclusivos da CNseg e vice-presidente da MAG, Leonardo Lourenço.
A necessidade de produtos desburocratizados também foi destacada pelo encerramento dos trabalhos. “A inclusão securitária depende de inovação, linguagem clara e construção de confiança. O desafio do setor é desenvolver soluções que dialoguem com a realidade das famílias brasileiras e ampliem o acesso aos instrumentos formais de proteção financeira”, concluiu a diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates.

